O mercado de crédito durante a pandemia e o auxilio emergencial.

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Como efeito da pandemia Covid19 e do isolamento social, o faturamento de empresas e famílias no Brasil foi reduzido, impactando diretamente o mercado de crédito. Anteriormente à pandemia este mercado crescia gradativamente se recuperando da crise de 2015 e 2016.

Nos últimos 2 anos anteriores à pandemia o crescimento do número de financiamentos era visível tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas. A taxa Selic baixa foi o fator primordial para o aumento do número de endividados no país até o final de 2019.

A origem do problema.

Segundo a Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), atualmente no Brasil existem cerca de 11 milhões de pessoas endividadas constatando um aumento de 5,8% relativo ao mesmo período do ano anterior e atingindo o maior percentual desde 2010.

Este aumento do endividamento do brasileiro já apresentava crescimento dês do ano de 2018 quando o mercado estava favorável ao crédito. Com condições mais atrativas oferecidas por bancos, financeiras e cartões o número de endividados cresceu e as parcelas adentraram ao ano de 2020.

O crédito durante a pandemia.

Levando em consideração a renda familiar brasileira, durante o período de pandemia constatou-se que famílias com menor renda buscaram crédito para aquisições de bens e para manter os padrões de consumo dos anos anteriores. Já nas famílias mais ricas, o comportamento foi o inverso, durante o mesmo período a tendência foi reduzir os gastos com bens e economizar.

Outros comportamentos notados durante a pandemia foram o alongamento dos parcelamentos e a renegociação das dívidas, medidas necessárias para que os consumidores continuassem comprando e pudessem cumprir com os seus compromissos financeiros.

Para as pessoas jurídicas, principalmente para os pequenos e médios negócios, o crédito foi essencial para manter o fluxo de caixa. No entanto, o que os bancos estavam prevendo era o uso do crédito por parte destes para o pagamento de dívidas oriundas da crise sanitária do covid19.

O mercado de crédito.

Logo no início da pandemia o crédito para pessoas físicas teve um recuo de R$ 2 bilhões impactando diretamente aos bancos. Para os cartões de crédito de pessoas físicas, somente no primeiro bimestre de 2020 houve uma redução de 9,9%.

Se tratando de crédito emergencial os números foram mais altos que nos anos anteriores. No primeiro trimestre de 2020 o crédito destinado a pessoas físicas cresceu 164,6% enquanto o crédito destinado a empresas teve o aumento 59,6%. De uma média de R$ 3,5 bilhões no ano anterior, em março de 2020, esse valor já havia praticamente duplicado para R$ 6 bilhões.

A Inadimplência na pandemia.

Visto o crescimento do número de endividados já nos anos anteriores à pandemia, o número de inadimplentes durante o período cresceu atingindo 4 a cada 10 grupos familiares brasileiros. Levando em conta que as famílias mais ricas foram conservadoras quanto aos financiamentos essa proporção se torna ainda maior entre as famílias de menor renda.

Dentre o grupo mais pobre da população, apesar do empenho em cumprir com os compromissos financeiros, a tendência é que cresça o número de inadimplentes impossibilitados de pagar suas dívidas.

Cartão de crédito e cheque especial.

Por serem considerados uma forma de crédito caro, o número de dívidas referente ao uso de cartões de crédito e cheque especial reduziu durante o período da pandemia. Por outro lado, nota-se o crescimento das dívidas referentes a consignado, crédito pessoal, crédito em lojas e nos financiamentos de carros e imóveis.

Auxílio emergencial

Mesmo com a pandemia, o consumo do brasileiro aumentou, inclusive chegando a atingir valores recordes como no mês de agosto de 2020. Todo este crescimento se deve ao auxilio emergencial, benefício do governo que chegou a cerca de 43% das famílias brasileiras.

Segundo o instituto de pesquisa Data Folha, os brasileiros que receberam o auxílio priorizaram os gastos com a compra de alimentos seguido dos gastos com pagamento de contas em atraso e dos gastos com moradia. A aquisição de bens duráveis ou não essenciais não chegou a somar 1% das compras feitas com o benefício.

Mercado pós auxílio emergencial

O auxílio emergencial tem feito a diferença para a economia do país e aliviou o endividamento do brasileiro, porém, com seu encerramento em dezembro de 2020 o mercado corre o risco de regredir. Uma vez que 44% das pessoas que receberam o benefício do governo informaram ser esta a sua única fonte de renda as previsões para o ano de 2021 não são as melhores.

O retrocesso eminente antevisto por economistas para o período após o encerramento do benefício emergencial somado ao prolongamento da crise sanitária, isolamento social e desemprego, tem causado medo no comercio.

A associação do crescimento das vendas com o auxílio, faz com que o que uma vez foi sinal de alivio torne-se dúvidas e incertezas. As consequências são novamente a redução do faturamento, aumento da inadimplência, demissões, menor poder aquisitivo da população e o resfriamento da economia de modo geral.

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